sábado, 7 de setembro de 2019

PROJETO CARTOGRÁFICO E ANÁLISE HIDROGRÁFICA: SUB-BACIA SANTO ANTÔNIO, EM MAGALHÃES BARATA-PA

            A análise das Bacias Hidrográficas, bem como de suas sub-bacias, apresenta-se como uma temática essencial as diversas ciências. Em especial, para a geografia, quando se trata dos cursos d’água amazônicos. Por ocasião da finalização do primeiro Curso de Geoprocessamento ofertado pelo Grupo de Estudos e Observação Cartográfica da Amazônia (GEOCAM), intitulado “Sistema de Informação Geográfica e o Geoprocessamento aplicado à Analise Territorial”, com uso do Software – Quantum Gis 2.18 [Las Palmas], estabeleceu-se entre os presentes a análise geo-ambiental, por geoprocessamento, de uma sub-bacia hidrográfica. 
O recorte geo-ambiental que apresentamos trata-se da análise realizada ao longo de 2018, sob a perspectiva dos cursos hídricos integrados a sub-bacia hidrográfica do Igarapé Santo Antônio, situado no município de Magalhães Barata-PA. Contudo, este levantamento cartográfico ganhou corpo científico e foi incorporado ao Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Geografia, intitulado: “A Fragmentação Territorial da Zona Costeira do Nordeste Paraense: Dinâmicas Territoriais da Pesca na Reserva Extrativista Marinha de Cuiarana, município de Magalhães Barata – Pa” desenvolvida pelo pesquisador Nonato Sousa Gonçalves (Data de Aprovação: 21/01/2019). Entretanto, neste momento apresentamos os momentos iniciais de desenvolvimento do Projeto Cartográfico da pesquisa acima mencionada, e que foi conduzida no âmbito do Grupo de Estudos e Observação Cartográfica da Amazônia (GEOCAM) vinculado a Universidade do Estado do Pará (UEPA).
Objetivo:
Identificar e Analisar por meio dos Sistemas de Informações Geográficas (SIG's) a sub-bacia hidrográfica do Igarapé Santo Antônio. 
Objetivos Específicos:
  • Identificar as reais dimensões geo-ambientais dos elementos hídricos presentes na área sub-bacia.
  • Compreender o potencial hídrico, com a disposição das nascentes e as dimensões da sub-bacia e dos cursos hídricos presentes na mesma.
Conceituando Bacia Hidrográfica e Hierarquia Fluvial.
O uso do Sistema de Informação Geográfica (SIG) e do geoprocessamento possibilita uma melhor leitura geográfica, no ambiente geomorfológico do ambiente fluvial, a partir da utilização de tecnologias disponibilizadas em Sensoriamento Remoto (SR) aplicáveis no estudo das formas e dos processos fluviais.
Para melhor compreensão, comumente, a bacia hidrográfica ou drenagem, são entendidas como áreas da superfície terrestre drenada por um rio principal e seus tributários, onde o divisor de água marca o limite topográfico da zona de abastecimento da bacia de drenagem, originado pela precipitação, conforme a figura 1.
Na figura, estão identificados os elementos iniciais de uma análise: o curso d'água principal e seus afluentes, o divisões de águas, e o Exutório, com estes elementos representados em ambiente computacional, as operações com geoprocessamento permitirão novas análises, tais como  a Classificação Hierárquica da Bacias de Drenagem, figura 2. 
  
Na figura 2, observa-se a classificação da bacia hidrográfica, distinguindo a ordem dos cursos d’água a partir das nascentes acompanhando o fluxo até a foz. Os rios são canais de escoamento concentrado da água que permitem sua transferência, por gravidade, das regiões mais altas para as mais baixas (NOVO, 2008, p-220).
A base conceitual acima apresentada permite a construções iniciais acerca do objeto de estudo, desta forma,  foi utilizada uma imagem da Missão Topográfica Radar Shuttle (do inglês SRTM) que é uma missão espacial para obter um modelo digital do terreno da superfície terrestre. A mesma pode ser encontrada gratuitamente nos sites da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), e no Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (INPE), dentre outros. Assim, a aquisição da imagem nos permite alcançar a altimetria, elemento necessário análise da Sub-Bacia Hidrográfica.
A Atividade Complementar do I – CURSO de: Sistema de Informação Geográfica e o Geoprocessamento aplicados à Analise Territorial, ofertado pelo GEOCAM, a qual será utilizado o software Quantum-Gis, versão 2.18.
De posse da delimitação da Sub-bacia Hidrográfica do Igarapé do Santo Antônio – Magalhães Barata, solicita-se.
ü  A Camada Vetorial da Área da Sub-bacia Santo Antônio [M. Barata] com o Cálculo de Área.
ü  Camada Vetorial do Perímetro da Sub-bacia Santo Antônio [M. Barata] com o Cálculo de Percurso.
ü  Camada Vetorial dos Cursos D’Água da Sub-bacia Santo Antônio [M. Barata] com Cálculo do Percurso, e Classificação hierárquica[1], conforme a figura 2.
ü  Camada Vetorial do Curso D’Água Principal da Sub-bacia Santo Antônio [M. Barata], com o Cálculo do Percurso.
ü  Camada Vetorial das Nascentes da Sub-bacia Santo Antônio [M. Barata].
ü  Camada Vetorial das Confluências da Sub-bacia Santo Antônio [M. Barata].

Etapas de Execução no Geoprocessamento das Camadas Vetoriais.

Para realizar a atividade descrevemos os procedimentos para cada etapa:
1.    De posse da Camada Vetorial 1. Área da Sub-bacia, vá em:
Vetor > Geometrias > Polígonos para Linhas...
Camada de Entrada = Área da Sub-bacia Santo Antônio [M. Barata] > [Creat Temporary Layer] > Rum...

Após carregar, Salve para a Pasta Atividades (selecione o diretório da mesma) com o nome Perímetro da Sub-bacia Santo Antônio [M. Barata] com o Cálculo de percurso.
Abra a Tabela de Atributos, crie um Novo Campo [Número Decimal = 10 de Comprimento e 3 de Precisão], e use a Expressão: $Length > OK.

2.    De posse da Camada Vetorial Cursos D’Água da Sub-bacia Santo Antônio [M. Barata], possivelmente já existente desde na sua base de dados.
Abra a Tabela de Atributos, crie um Novo Campo [Número Decimal = 10 de Comprimento e 3 de Precisão], e use a Expressão: $Length > OK.

3.    Ainda de posse de posse da Camada Vetorial Cursos D’Água da Sub-bacia Santo Antônio [M. Barata], também já existente desde na sua base de dados.
Selecione Todas as feições que compõem o Curso principal (o mais extenso), após vá em...
Salvar Como > Curso D’Água Principal da Sub-bacia > [X] Salvar Somente Feições Selecionadas > OK.
Abra a Tabela de Atributos, crie um Novo Campo [Número Decimal = 10 de Comprimento e 3 de Precisão], e use a Expressão: $Length > OK.

4.    Para a identificação das Nascentes da Sub-bacia, siga o procedimento...
Vetor > Geometrias > Extrair Nós...
Camada de Entrada = Cursos D’Água da Sub-bacia Santo Antônio [M. Barata] > [Creat Temporary Layer] > Rum...
Após carregar, Salve para a Pasta Atividades com o nome: Vértices no Curso D’Água da Sub-bacia Santo Antônio [M. Barata] com o Cálculo de percurso.

Importante:
Esta camada, lhe dará a possibilidade de gerar as duas próximas camadas, Nascentes e Confluências nos Cursos D’Água. Assim, você deve fazer uma higienização, Alternando Edição e Selecionando as Feições que não sejam de Nascentes nem de Confluências.

Ao fim, Salve as Edições, e Feche Alternar Edição...
Após a higienização você deverá ter somente Vértices que demarcam as Nascentes e as Confluências. Assim, inicie com as Nascentes, selecione somente as feições correspondentes, ao fim vá em...
Salvar Como > Nascentes na Sub-bacia > [X] Salvar Somente Feições Selecionadas > OK.

Importante:
Para não haver duplicidade, vá em: Desfazer Seleção em Todas as Camadas, após este procedimento selecione somente as Confluências, e ao fim...

Salvar Como > Confluências na Sub-bacia > [X] Salvar Somente Feições Selecionadas > OK.
De posse de todas as Camadas Vetoriais geradas na etapa anterior, você estará em condições de preencher o quadro a seguir:

Quadro 1: Análise Final do Geoprocessamento na Área de Estudo.
Camada Vetorial
Resultado Após Análise
Nascentes da Sub-bacia
Total = 7 Nascentes Santo Antônio
Confluências da Sub-bacia
Total = 12 Confluências Santo Antônio
Curso D’Água Principal
Extensão de = 16,286Km Santo Antônio
Cursos D’Água da Sub-bacia
Extensão de = 46,129Km Santo Antônio
Perímetro da Sub-bacia.
Extensão de = 45,806Km Santo Antônio
Área da Sub-bacia
Área de = 64,315Km² Santo Antônio
Fonte: Org. Geocam (2017).
            Com base nas informações organizadas esperamos que você tenha compreendido a importância dos procedimentos descritos nesta atividade, e por último, solicitamos que você encaminhe em anexo, todas as Camadas Vetoriais realizadas em seu exercício.
            Certos de que você executará com êxito todas as etapas.
É com satisfação que nós, pesquisadores do Grupo de Estudos e Observação Cartográfica da Amazônia (GEOCAM) apresentamos o resultado do Projeto Cartográfico com dados inéditos, alcançadas após sucessivas etapas de geoprocessamento no software Quantum Gis, que resultou na Representação Cartográfica expressa o recorte geo-ambiental da sub-bacia Santo Antônio, em Magalhães Barata-PA.
Texto: Geocam (2019).

Referência

GONÇALVES, Nonato Sousa. A Fragmentação Territorial da Zona Costeira do Nordeste Paraense: Dinâmicas Territoriais da Pesca na Reserva Extrativista Marinha de Cuiarana, município de Magalhães Barata - Pa. Igarapé-Açu: Universidade do Estado do Pará (Trabalho de Conclusão de Curso em Geografia), 2019.
NOVO, Evlyn Márcia L. de M. “Ambientes Fluviais”. Em Geomorfologia: conceitos e tecnologias atuais. FLORENZANO, Teresa Gallotti. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. 
____________________________________________
[1] - Para realizar a Classificação Hierárquica, você deve ir a Tabela de Atributos e criar um novo campo, que deverá ter o nome “Hierarquia”. Nela, deve-se inserir a ordem do curso d’água na feição, cada uma selecionada separadamente.




sábado, 15 de junho de 2019

GEOCAM PROMOVE O SEGUNDO CURSO DE CARTOGRAFIA: SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA E O GEOPROCESSAMENTO APLICADO À ANALISE TERRITORIAL

Nos dias 13 e 14 de junho de 2019, o Grupo de Estudos e Observação Cartográfica da Amazônia (GEOCAM) promoveu o II Curso de Sistema de Informação Geográfica e o Geoprocessamento Aplicado à Análise Territorial, realizado em Igarapé-Açu o curso estimulou a socialização de saberes e técnicas para a manipulação e construção de representações cartográficas, foi utilizado o software Quantum Gis 2.18.13 (Las Palmas).
O curso foi realizado no município de Igarapé-Açu nos espaços da Fazenda Escola de Igarapé-Açu (FEIGA) da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), onde atualmente a senhora Kassia Magalhães é responsável pela gerência do espaço, espaço este novamente cedido ao Grupo de Estudos e Observação Cartográfica da Amazônia (GEOCAM) da Universidade do Estado do Pará (UEPA) através de diálogo e parceria entre instituições o professor Carlos Jorge N. de Castro, líder do grupo, ministrou nos dias 13 e 14 o referido curso. Além da FEIGA, o curso contou com o apoio e parceira da Rádio Companheira FM 87,9 FM, a qual acompanhou a iniciativa adotada entre as instituições UEPA e UFRA, com finalidades sociais.
O público atendido no II Curso de Sistema de Informação Geográfica e o Geoprocessamento Aplicado à Análise Territorial constituiu em pesquisadores, profissionais e acadêmicos, das duas instituições, UFRA e UEPA.
A proposta do curso é disseminar o conhecimento acerca da Cartografia, SIG’s, Geoprocessamento para análises territoriais da região. Assim, os acadêmicos e pesquisadores do Geocam juntamente com os demais acadêmicos dos grupos do Grupo de Pesquisa Geografia do Pará Urbano (GeoPUrb), coordenado pela professor Willame Ribeiro (UEPA) do mesmo modo os acadêmicos do Laboratório de Pesquisa em Geografia da Violência e do Crime (LAB-GEOVCRIM), coordenado pelo professor Clay Chagas (UEPA-UFPA). Também foram convidados acadêmicos do curso de Geografia da UEPA, do Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE), de Belém; Acadêmicos do Campus – X, de Igarapé-Açu; Acadêmicos do Campus – XX, de Castanhal.

Acadêmicos e pesquisadores de Zootecnia da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) participaram do curso, são pesquisadores do Grupo de Estudos em Forragicultura e Ruminantes da Amazônia (GERFAM) e do Centro de Pesquisas em Caprinos e Ovinos do Pará (CPCOP), Campus Belém; e do Campus de Paragominas.
Na condução do Curso, o professor Carlos Jorge N. de Castro, distribuiu a carga-horária em: 10 horas teóricas (a partir do referencial lido previamente para o curso), 20 horas práticas (com o desenvolvimento da ementa do curso), e 10 horas complementares (com a execução de exercício de fixação), totalizando 40 horas de formação.
Nos intervalos entre turnos, e com as condições de tempo favoráveis, os participantes foram convidados a prática de voos com drone na área da Fazenda Escola, estes momentos permitiram maior interação, propiciando trocas de conhecimento.
Na oportunidade, J.Filho radialista da Rádio Companheira FM 87,9 de Igarapé-Açu, e membro do Geocam, entrevistou os participantes do II Curso de Sistema de Informação Geográfica e o Geoprocessamento Aplicado à Análise Territorial que demonstram sua satisfação em aprimoraram seus conhecimentos em cartografia, com o uso potencial do Sistema de Informação Geográfica (SIG) e das ferramentas de Geoprocessamento. Pois, tais conhecimentos promovem uma melhor leitura do contexto espacial de Igarapé-Açu e região. 

Equipe Organizadora 

Carlos Jorge Nogueira de Castro
Universidade do Estado do Pará
Grupo de Estudos e Observação Cartográfica da Amazônia – Geocam
Francisco de Assis da Silva Lopes
Grupo de Estudos e Observação Cartográfica da Amazônia – Geocam
João de Souza Barros Filho
Universidade do Estado do Pará
Grupo de Estudos e Observação Cartográfica da Amazônia – Geocam
Rádio Companheira FM
Rodrigo dos Santos Sá
Grupo de Estudos e Observação Cartográfica da Amazônia – Geocam

Parceiros 

Grupos de Pesquisa da Universidade do Estado do Pará
Laboratório de Pesquisa em Geografia da Violência e do Crime – LAB-GEOVCRIM
Grupo de Pesquisa Geografia do Pará Urbano - GEOPURB

Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA
Fazenda Escola de Igarapé-Açu - FEIGA

Rádio Comunitária Companheira

Texto: Geocam (2019).
Contribuições: Assis Lopes; João Barros Filho; Rodrigo Sá (2019).


sexta-feira, 7 de junho de 2019

PESQUISADORES DO GEOCAM CONTRIBUEM EM TRABALHO DE CAMPO DE ACADÊMICOS DE GEOGRAFIA, EM CASTANHAL E IGARAPÉ-AÇU


Nos dias 06 e 07 de junho, pesquisadores do Grupo de Estudos e Observação Cartográfica da Amazônia (GEOCAM) participaram da disciplina de Trabalho de Campo Interdisciplinar I com a turma de Geografia 2018, advinda de Belém. A disciplina foi conduzida sob a supervisão do professor Dr. Clay Anderson Nunes Chagas (Lab-Geovcrim), e o professor Msc. Carlos Jorge Nogueira de Castro (Geocam e Lab-Geovcrim).
Na cidade de Castanhal, os professores a turma receberam os pesquisadores, Francisco Lopes e Rodrigo Sá, que na oportunidade apresentaram suas pesquisas acerca formação das cidades da região frente ao empreendimento da antiga Estrada de Ferro de Bragança (EFB), buscando resgatar e compreender o processo histórico-geográfico que essa desempenhou para a formação da rede urbana do Nordeste Paraense, dotado de uma certa particularidade diante da formação da rede urbana da Região Amazônica.
Castanhal, importante cidade da Antiga EFB, os acadêmicos de geografia foram recebidos pelo pesquisador Rodrigo Sá, que resgatou a historicidade do município, bem como sua configuração socioeconômica e espacial que persiste no cenário atualmente, conciliando importantes debates, tais como Ribeiro (2017) que analisou a configuração da estrutura e organização do espaço da mesorregião nordeste paraense ao longo de três períodos - Embrionário, Colonização, Expansão das rodovias. 
Durante o diálogo com os acadêmicos, destacou-se, as complexas interações espaciais desempenhadas pelo município diante de uma realidade que compõe a Região Metropolitana de Belém (RMB) e outra que atua como uma centralidade de influência frente aos demais municípios da Região Nordeste do Pará. Após esse primeiro momento, ocorrido nos espaços da Praça do Estrela onde se encontra a locomotiva Maria Fumaça, ainda pela parte da manhã, os discentes do curso de Geografia foram conduzidos até o Complexo de Feiras Livre de Castanhal, lócus de pesquisa do professor Assis Lopes.
Neste segundo momento, o referido professor fez uma explanação a respeito do funcionamento da feira, e da participação que a expansão da mobilidade do transporte rural possui para a organização e interações espaciais entre Castanhal e algumas comunidades de municípios pertencentes a sua área de influência. Assim, orientou-se aos discentes que esses realizassem entrevistas com os agentes que contribuem para o fluxo de capital na feira e, dessa forma, as entrevistas foram conduzidas aos comerciantes locais; aos agentes diretamente ligados à mobilidade do transporte rural; e, a comunidade que se utiliza dos espaços da feira.
IGARAPÉ-AÇU
Mercado Velho
No dia 06 de junho, às quatorze horas, houve a acolhida do pesquisador J. Filho aos acadêmicos e professores Carlos Jorge e Clay Anderson de Geografia da Universidade do Estado do Pará na Praça do Centro Cultural Mercado Velho relativo ao Trabalho de Campo Interdisciplinar I.
No ensejo, o professor e líder do grupo Geocam Carlos Jorge e o professor e vice-reitor Clay Anderson fizeram a apresentação entre os acadêmicos e o pesquisador. Em seguida, J. Filho explanou brevemente sobre o contexto histórico e geográfico de Igarapé-Açu e sua importância estratégica no Nordeste Paraense, capitaneado pela Estrada de Ferro Belém-Bragança, importante na colonização, no fluxo de pessoas e mercadorias, e também na consolidação da agricultura regional.
Continuando, J. Filho direcionou o diálogo para o objeto principal de sua pesquisa, a expansão da dendeicultura e a territorialização da Palmasa em Igarapé-Açu, destacando os agentes diretos e indiretos envolvidos no sistema produtivo do dendê, nas relações e nas transformações do espaço agrário e agrícola local.

UFRA/FEIGA e Base Aérea
No segundo momento dessa tarde visitamos a Fazenda Escola da Universidade Federal Rural da Amazônia –FEIGA. Na oportunidade, os acadêmicos foram recebidos pela Sra. Kássia, gerente local e também pelo Sr. Arquimedes, servidor da FEIGA, onde conheceram as instalações locais e também conversaram com outros servidores da instituição. Nesse espaço estava ocorrendo uma atividade do Movimento Moeda Verde de Igarapé-Açu, inclusive com presença de acadêmicos da Uepa. A reciprocidade foi elevada pelos representantes institucionais com a perspectiva de novas parcerias em breve.
Depois, prosseguindo com as atividades, direcionamo-nos para a Base Aérea, espaço histórico de Igarapé-Açu pertencente a Aeronáutica sob responsabilidade da UFRA/FEIGA. J. Filho explanou sobre a Base Aérea, uma “rugosidade” (Santos, 2006) que no contexto da Segunda Guerra Mundial representou e materializou a geopolítica e os anseios dos agentes hegemônicos e hegemonizados no período desse evento bélico. Hoje, esse espaço é ocupado por pequenos produtores que residem e praticam a agricultura de subsistência. O professor Clay Anderson reforçou o diálogo enfatizando sobre os reais interesses dos americanos e alemães, líderes dos grupos opostos na Segunda Guerra Mundial, principalmente sobre os intensos bombardeios entre ambos no Atlântico, às proximidades do litoral brasileiro. 
Com a ajuda do senhor Adriano Carvalho, seguimos mostrando os antigos alojamentos, a torre móvel de atracação de “Zepellins” que hoje serve de base para uma caixa d´água, o refeitório, a pista de pouso reta de 1500 metros que se encontra desativada e as demais ruínas, além do cultivo de diversas culturas pelos moradores que ocupam o espaço da Base Aérea.

Comunidade do Mangueirão - KM 9 PA-127
Como última parada do nosso roteiro do dia 07, visitamos a Comunidade do Mangueirão, no KM 09 sentido Igarapé-Açu/Maracanã e fomos recebidos pelo Sr. Luciano Braga, que além de agricultor também tem formação em Técnico Agrícola. Na oportunidade, o pesquisador J. Filho fez uma pequena apresentação entre o anfitrião e os acadêmicos e professores, e também introdução sobre a temática abordada pelo Luciano.
O Sr. Luciano Braga reportou sobre o histórico dele e de seu genitor, o Sr. Elias Braga sobre as práticas utilizadas no cultivo e produção em sua propriedade. Primeiramente, explanou sobre o modelo tradicional utilizado pelos agricultores locais que passa de geração para geração, o sistema convencional de corte e queima, sem uso alguns de tecnologias e assistências. Em seguida, ressaltou sobre a importância da mudança de conduta ao participar de um projeto capitaneado pela Embrapa em parcerias com algumas associações onde teriam acesso a um novo modelo de usufruir da propriedade.
J. Filho que outrora também participara dessa iniciativa, reforçou a discussão a respeito do uso de novas tecnologias no campo. Trata-se do sistema corte e trituração, onde ao invés de queimar a capoeira ela seria triturada por um implemento agrícola adaptado e seria feito o plantio direto aproveitando os nutrientes do solo armazenados com a decomposição da biomassa.
Com essa prática mais sustentável foi possível explorar pequenas aéreas e nas mesmas, além de introduzir inúmeras variedades de culturas anuais, também consorciada com frutíferas regionais e essências florestais adaptadas à região, conforme arranjo da área produtiva próxima de sua residência apresentado por Luciano. Esse consórcio é denominado de Sistemas Agroflorestais – SAF’S que possibilita o melhor usufruto da propriedade e seu auto-sustento familiar bem como menor agressão ao meio ambiente.

Mercado Velho
No dia seguinte, 07, novamente visitamos o Centro Cultural Mercado Velho, porém dessa vez J. Filho e Carlos Jorge abordaram outras questões como a importância do dinamismo do circuito rural-urbano para a economia local e reforçando a importância central da cidade para essa parcela territorial do Nordeste Paraense. Nessa ocasião, explicaram que pela manhã o fluxo do transporte (ônibus, micro-ônibus e vans) corresponde ao transporte de moradores e agricultores das comunidades pertencente à Igarapé-Açu e também aos municípios vizinhos para efetuarem compras, pagamentos, recebimentos, venda de produtos entre outros. Enquanto que à tarde, o acontece o transporte de estudantes que vêm dessas localidades para as principais escolas da rede pública de ensino.
Conforme tratamos em: A IMPORTÂNCIA DO CIRCUITO RURAL-URBANO DOS TRANSPORTES PARA A ECONOMIA DE IGARAPÉ-AÇU, no link:https://geografia-cartografia.blogspot.com/2017/11/a-importancia-do-circuito-rural-urbano.html
Em seguida, adentramos ao espaço cultural do Mercado Velho onde foi perceptível o resgate da memória de Igarapé-Açu através de imagens que retratam distintos períodos da sociedade igarapeaçuense. J. filho fez uma breve contextualização geral desses períodos e momentos históricos passando pela própria estrutura do prédio e sua importância durante o auge da Estrada de Ferro e de seus comerciantes e lojistas da época que depois migraram para a Avenida Barão do Rio Branco, expandindo e fortalecendo o centro comercial local. Explanou sobre os demais prédios históricos, as manifestações culturais e religiosas, além de pontos turísticos (FREITAS, 2005).

Comunidade do Livramento (Ponte de Ferro E Estação do Trem)
Para finalizar o roteiro desse Trabalho de Campo, a última visita foi na comunidade de Livramento, onde na oportunidade visitamos a Ponte de Ferro sobre o rio Maracanã e em seguida as ruínas da estação do trem. No primeiro local, J. Filho fez breve contexto da historicidade da comunidade, sendo esta uma comunidade de remanescentes quilombolas. Sobre a ponte da Estrada de Ferro sobre o rio Maracanã, J. Filho frisou que esta é um marco da Amazônia Atlântica onde sua arquitetura foi proveniente da Europa durante o período áureo da borracha e materialização do meio técnico. É um simbolismo daquele período que dinamizou as transformações socioespaciais regional por ser um instrumento dinamizador do processo político e territorial.
Nas ruínas, à 200 metros das margens direita da PA-242, o Professor Carlos Jorge explicou sobre as espacializações e espacialidades das localidades e estações. E nesse ambiente cercado por árvores de diversas espécies e um clima agradável J. Filho, Carlos Jorge e Clay Chagas fizeram as considerações finais sobre o roteiro e o itinerário do Trabalho de Campo. Os acadêmicos também mostraram satisfação em participar dessa atividade que será de grande valia para os mesmos discernirem sobre os aspectos relevantes sobre o espaço dessa parcela territorial do Nordeste Paraense.

Ao fim, apresentamos o mosaico com alguns dos melhores momentos de nossa atividade.
Decerto, o empenho é coletivo e neste momento agradecemos aos Acadêmicos do Curso de Geografia Belém, que demostraram grande interesse em conhecer mais sobre Castanhal e Igarapé-Açu; aos professores Clay Chagas e Carlos Jorge N. de Castro que organizaram acreditaram no bom andamento do trabalho; aos pesquisadores do GEOCAM: Francisco Assis, João Barros Filho, Rodrigo Sá; aos nossos agentes parceiros: Kássia Magalhães (gerente da FEIGRA - UFRA), ao senhor Luciano (produtor rural); à coordenação do Campus de Igarapé-Açu; ao nosso motorista Jorge, servidor da universidade que muito bem nos conduziu no Trabalho de Campo Interdisciplinar I.

REFERÊNCIAS
EGLER, Eugênia G. “A Zona Bragantina no Estado do Pará.” Revista Brasileira de Geografia, 1961: 71-102.
FREITAS, A. M. Memória de Igarapé-Açu. Belém: Gráfica SUPERCORES, 2005.
RIBEIRO, Willame de Oliveira. ““Das frágeis conexões às múltiplas interações: estruturação e periodização da rede urbana do nordeste paraense”.” Anais do XI Encontro Nacional da Anpege: a diversidade da geografia brasileira: escalas e dimensões da análise e da ação. Presidente Prudente: Anpege, 2015. 5909-5920.

SANTOS, Milton. A Natureza do espaço: Técnica e tempo. Razão e emoção. São Paulo: Edusp. 2006.
Texto: Geocam (2019).
Contribuições: Assis Lopes; João Barros Filho; Rodrigo Sá (2019).



quarta-feira, 22 de maio de 2019

GEOCAM PROMOVE O PRIMEIRO SEMINÁRIO DE PESQUISAS DO GRUPO EM SÃO JOÃO DA PONTA - PA

No dia 22 de maio de 2019, o Grupo de Estudos e Observação Cartográfica da Amazônia (GEOCAM), realizou o seu I Seminário da Região Imediata de Castanhal, e o município escolhido foi São João da Ponta-PA. Na oportunidade, foi possível destacar as produções e parcerias que o grupo vem consolidando ao longo de seus dois anos de existência. O momento foi de muita satisfação para o grupo e a seus pesquisadores que compartilharam com a comunidade escolar do município parte das pesquisas desenvolvidas no âmbito da Universidade do Estado do Pará (UEPA); entende-se a importância do evento para a promoção do ensino e da pesquisa, aplicáveis ao ambiente escolar.
A atividade dividiu-se em dois momentos durante o dia. Pela manhã, foi apresentada a primeira palestra com o título: "Ensino de Geografia e Cartografia: a Escrita Gráfica e sua aplicação em Cartografia Temática" ministrada pelo pesquisador membro do grupo, professor Rodrigo Sá.
O trabalho acerca do ensino da linguagem cartográfica têm sua importância para o ensino da geografia, e desperta o interesse no ensino básico. A discussão com professores de geografia que pretendem trabalhar com esta temática em sala de aula, aliando a uma metodologia prática de ensino da linguagem cartográfica com o recorte espacial esboçado pela regionalização que expressa as Regiões Geográficas.
Assim, as relações fundamentais da representação gráfica estabelecidas entre diversidade, ordem e proporcionalidade e suas propriedades perceptivas. As etapas desta pesquisa contaram com análises teóricas, bem como com o acompanhamento, observação e auxílio nas disciplinas que tratam da cartografia da grade curricular do curso da referida instituição. Entende-se que esta é uma problemática complexa e que envolve diversos atores para a sua resolução.
Durante a tarde, prestigiamos o segundo momento de atividade com a palestra:  “Análise Geográfica da Mobilidade campo-cidade: o Transporte e sua importância na Dinâmica de Castanhal” do professor e pesquisador membro do grupo Francisco Lopes.
A expansão do transporte rural-urbano que se conecta ao centro urbano da cidade de Castanhal, localizado no nordeste paraense, que a partir de uma coexistência dos interesses e conflitos entre os diferentes agentes atuantes no espaço campo-cidade, dentre os quais se identificam médios e grandes proprietários de terra em Castanhal, em nos municípios circunvizinhos, se interagem aos espaços centrais da cidade de Castanhal. Com o processo de interação das comunidades às áreas centrais da cidade de Castanhal, promovem um dinamismo econômico através de gêneros alimentícios de primeira necessidade que amortecem os preços dos mesmos.
Na Região Geográfica de Castanhal a relação entre o rural-urbano, onde demonstra uma cidade impossibilitada de reproduzir-se sem as mediações da produção e reprodução do capital, com uma correlação nas dinâmicas ocorridas no espaço urbano-rural da cidade de Castanhal. O objetivo do trabalho pautou-se em analisar a espacialidade das interações espaciais presentes na expansão da mobilidade do transporte rural, a partir das comunidades e dos municípios circo-vizinhos que se reproduz no município de Castanhal, como uma estratégia de produção social e econômica.
Além das palestras ministradas, o I Seminário da Região Imediata de Castanhal contou ainda com uma demonstração e exercício de pilotagem de drone com o líder do grupo Professor Msc. Carlos Jorge N. Castro.
O primeiro Seminário do Geocam contou com a parceria do professor geógrafo Danilo Pinho, que organizou e articulou ida do grupo ao município de São João da Ponta, oferecendo todo o suporte necessário para a realização e socialização das palestras e dos exercícios práticos com aeronaves drones. As quais o também geógrafo e professor Carlos Jorge, apresentou os principais aspectos das regras de segurança em voos com aeronaves acionadas remotamente, demostrando a importância do registro de voo para os alunos, e demais presentes.
O Grupo de Estudos e Observação Cartográfica da Amazônia deixa seus agradecimentos aos envolvidos que fizeram com que o evento fosse possível. Ressalta a relevância de ultrapassar os muros do meio acadêmico, buscando, assim, fazer parte da comunidade escolar e social. Registra-se ainda o auxílio oferecido pela direção da Escola Ensino Fundamental Antônio Rosa que mobilizou e disponibilizou alunos e professores para prestigiar o evento, estendemos ainda nosso agradecimento a direção da Paróquia de São João Batista que nos cedeu o espaço necessário para a realização das atividades.
Texto: Geocam (2019).
Contribuições: Assis Lopes; Rodrigo Sá (2019).

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